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21/01/2019 às 10h53m - Atualizado em 22/01/2019 às 09h44m

Igreja Católica é condenada a pagar R$ 12 milhões por exploração sexual, na Paraíba

Três padres são acusados de explorar sexualmente coroinhas, seminaristas e flanelinhas, pagos com dinheiro ou comida; ex-arcebispo é apontado como um dos envolvidos com os crimes

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Ex-arcebispo Aldo Pagotto é acusado de acobertar padres e se envolver com exploração sexual na igreja da Paraíba

A Justiça do Trabalho condenou a Arquidiocese da Paraíba a pagar indenização de R$ 12 milhões por casos de exploração sexual cometidos por padres contra menores de idade. O arcebispo emérito do estado também é suspeito de envolvimento com o crime. As informações foram divulgadas pelo programa Fantástico ( TV Globo ) na noite desse domingo (20). 

De acordo com a investigação, quatro padres da Basílica Nossa Senhora das Neves, em João Pessoa, teriam abusado sexualmente de crianças e adolescentes. Os jovens explorados eram pagos pela igreja com dinheiro e até com comida. 

“Foi apurado que havia um grupo de sacerdotes, de forma habitual, que pagava por sexo a flanelinhas, coroinhas e também a seminaristas”, afirmou, ao Fantástico, o procurador Eduardo Varandas, explicando que o que define exploração sexual é a ausência de vontade livre para praticar o ato.

A denúncia teve origem a partir de uma carta escrita em 2014. A autora, que não quis se identificar, ouviu comentários de que algo estava errado na igreja e fez uma denúncia por carta, entregue a um padre de confiança que prometeu que o documento ficaria apenas dentro da arquidiocese. No entanto, o texto vazou e o Ministério Público do Trabalho resolveu investigar.

Uma das vítimas, um ex-seminarista, afirmou à TV Globo que era explorado pelos sacerdotes quando tinha 17 anos. “(Havia) abuso sexual por parte dos padres e de seminaristas. Através de palavras, de atos, pegavam nas minhas partes sexuais", afirmou. 

Ele ainda afirmou que havia relações sexuais e que se envolveu com três padres, que já foram afastados. Os nomes aparecem em vários depoimentos: Jaelson Alves de Andrade, Ednaldo Araújo dos Santos e Severino Melo. 

Um outro jovem que guardava carros em frente à igreja disse que já teve relações sexuais com um padre da arquidiocese. Ele contou tudo, mas foi assassinado em dezembro de 2016. A polícia investigou a possibilidade de "queima de arquivo" na época, mas a hipótese não foi comprovada. 

Segundo uma testemunha que era funcionário da catedral, o padre Jaelson levava coroinhas e outros meninos, todos menores de idade, para dormir com ele nos quartos que ficam atrás da igreja. "Os meninos iam embora de manhã cedo. Ele pagava lanches para os meninos e também dava roupas para eles como um agrado. Eu já cheguei a pegar padre Jaelson tendo relação sexual com menor de idade dentro da igreja", contou ao Fantástico.

"Também trabalhei com o padre Ednaldo. Ele costumava sair com os meninos que olhavam os carros na porta da Catedral. Costumava ir com eles no Bar da Pólvora. Eram todos menores de idade e o padre dava dinheiro pra eles”, completou a testemunha. 

Segundo o Ministério Público, o então arcebispo, Aldo Pagotto, também estava envolvido diretamente no caso de exploração sexual . Ele é suspeito de acobertar o crime dos padres e de também ter tido relações sexuais com outros jovens da cidade. 

Em 2002, quando era bispo de Sobral, no Ceará, dom Aldo já havia sido denunciado por tentar acobertar casos de abuso sexual de um padre contra 21 meninas, mas o Tribunal de Justiça cearense arquivou o caso. Em 2004, ele se tornou arcebispo da Paraíba e ficou no cargo até 2016, quando renunciou em meio a mais denúncias de escândalos sexuais envolvendo padres.

Todos os sacerdotes negaram envolvimento no caso. Para a sentença, a igreja terá que pagar R$ 12 milhões, um para cada ano que Aldo esteve no comando da arquidiocese. O dinheiro será revertido para o fundo da infância, da adolescência e instituições que trabalham com crianças sexualmente exploradas e atuam na recuperação psicólogica e na reinserção social desses jovens. 

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