25/01/2026 às 14h33m - Atualizado em 27/01/2026 às 21h58m
TV Record revela suposta 'polícia paralela' contra adversários do Governo Raquel Lyra; veja vídeo
Reportagem no programa Domingo Espetacular da TV Record, revelou denúncias de extrema gravidade que colocam sob forte suspeita a atuação da Polícia Civil na gestão da governadora Raquel Lyra.

Uma reportagem exibida neste domingo (25) pela TV Record, no programa Domingo Espetacular, revelou um conjunto de denúncias de extrema gravidade que colocam sob forte suspeita a atuação da Polícia Civil de Pernambuco durante a gestão da governadora Raquel Lyra. O material aponta para o uso indevido da estrutura policial com objetivos políticos, em um contexto diretamente ligado à disputa eleitoral no estado.
A reportagem reúne documentos internos, mensagens trocadas entre policiais civis, além de depoimentos públicos e sob sigilo, que indicam perseguição a servidores que se recusaram a cumprir ordens consideradas ilegais, práticas de arapongagem e monitoramento clandestino de adversários políticos. O conjunto das denúncias reforça a suspeita da existência de uma verdadeira “polícia paralela”, operando à margem da legalidade para atender interesses do governo estadual.
Entre os principais alvos das ações denunciadas está o prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, líder absoluto nas pesquisas de intenção de voto para o Governo de Pernambuco. Segundo a TV Record, o envolvimento indireto do prefeito em ao menos duas das denúncias evidencia que investigações e operações policiais teriam sido direcionadas não por critérios técnicos ou jurídicos, mas por conveniência política, sobretudo em um cenário pré-eleitoral.
Um dos episódios mais graves revelados diz respeito à divulgação de ofícios internos da Polícia Civil. Em um dos documentos exibidos, um delegado determina a continuidade de uma investigação mesmo após o arquivamento formal do caso por outro delegado responsável, que havia concluído pela inexistência de provas e de vestígios de crime. O caso envolve a investigação sobre creches do Recife, instaurada durante a eleição de 2024. De acordo com a reportagem, o próprio texto do ofício faz referência à relevância eleitoral da apuração, o que levanta suspeitas inequívocas de desvio de finalidade e violação direta dos princípios constitucionais da legalidade, da impessoalidade e da imparcialidade.
A reportagem também expôs prints de conversas em um grupo de WhatsApp formado por policiais civis, batizado de “Nova Missão”. As mensagens revelam uma atuação coordenada para monitorar integrantes da gestão municipal do Recife. Segundo o programa, policiais civis acompanharam os deslocamentos do secretário de Administração do Recife, Gustavo Monteiro, e de seu irmão Eduardo, assessor da prefeitura. As mensagens indicam, de forma ainda mais alarmante, a instalação de um rastreador no veículo de Eduardo, com o compartilhamento sistemático das informações em um grupo que reunia agentes e delegados.
Diante da repercussão, o Governo do Estado negou irregularidades. A Secretaria de Defesa Social alegou ter recebido uma denúncia anônima sobre suposto recebimento de propina por parte de um servidor, mas admitiu que não houve abertura de inquérito por absoluta falta de provas, fato que contradiz a intensidade das ações de monitoramento reveladas pela reportagem.
A Prefeitura do Recife reagiu com veemência e repudiou o que classificou como uso ilegal das forças policiais. O secretário Gustavo Monteiro, visivelmente abalado, afirmou que o monitoramento é um absurdo inaceitável em um Estado Democrático de Direito e informou que estuda acionar a Polícia Federal para apurar o caso.
O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco também fez uma grave denúncia: segundo a entidade, policiais estariam sendo pressionados a cumprir ordens ilegais, sob ameaça de retaliações, o que expõe um cenário de intimidação interna e de corrosão institucional dentro da corporação.
As denúncias expostas pela TV Record escancaram um quadro preocupante de aparelhamento da máquina pública, com possíveis desdobramentos jurídicos e políticos de grande impacto. A gravidade dos fatos exige apuração rigorosa e independente, sob pena de se normalizar o uso da força policial como instrumento de perseguição política em Pernambuco.
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