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22/05/2026 às 19h03m - Atualizado em 26/05/2026 às 18h36m

Sintepe denuncia gasto de R$ 180 milhões em reformas inacabadas na rede estadual de ensino de Pernambuco

Entre os principais problemas encontrados na vistoria do sindicato, estão o mofo, falta de forro adequado e pinturas gastas.

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O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) denuncia o Governo de Pernambuco por irregularidades em reformas de escolas da rede estadual de ensino.

De acordo com o sindicato, são 798 escolas com reformas inacabadas. O valor destinado a estas obras ultrapassa R$ 182 milhões. A empresa responsável pela licitação das reformas é a Cetus Construtora. Em cada escola, teriam sido investidos até R$ 2 milhões.

Após identificar inconsistências nos documentos, o sindicato visitou escolas na Região Metropolitana do Recife (RMR) e observou os seguintes problemas:

– Infiltrações em salas de aula;
– Rachaduras;
– Mofo;
– Problemas elétricos;
– Climatização insuficiente;
– Banheiros deteriorados.

Investimento nas reformas chegam a R$ 2 milhões

O maior valor investido foi na Escola de Referência de Ensino Médio (EREM) Diário de Pernambuco, no bairro do Engenho do Meio, na Zona Oeste do Recife, recebeu o valor de R$ 2.534.919,80. Confira a lista das 10 primeiras:

Tipo Escola Cidade Valor da Reforma
EREM DIARIO DE PERNAMBUCO Recife R$ 2.534.919,8
ETE AGAMENON MAGALHAES Recife R$ 2.317.048,45
EREM MANOEL MOREIRA DA COSTA Ibirajuba R$ 2.146.136,64
EREM ARQUIPÉLAGO FERNANDO DE NORONHA Recife R$ 1.667.953,42
EREM NATALICIA MARIA FIGUEIROA DA SILVA Surubim R$ 1.455.037,47
EREF ARTHUR DA COSTA E SILVA Recife R$ 1.418.205,76
ETE JOSE HUMBERTO DE MOURA CAVALCANTI Limoeiro R$ 1.287.340,61
EREM CLETO CAMPELO Gravatá R$ 1.276.300,12
EREM JUSTA BARBOSA DE SALES Vertente do Lério R$ 1.234.734,1
EREM EDITE MATOS Santa Maria da Boa Vista R$ 1.217.533,48

“Constatamos, que de fato, não aconteceram [as reformas] da forma que o governo anuncia, muitas delas estão inacabadas”, relata o secretário de comunicação do sindicato, Dilson Marques.

“Não temos também estrutura enquanto portas de banheiro, problemas com o piso, problemas com estrutura nas paredes, nas quadras poliesportivas e principalmente nas suas cobertas, com risco à queda e aí a ferir os estudantes nessa prática. A capinação quase inexistente que traz também uma característica não só de abandono, mas também de problemas com arboviroses. Então assim, são elementos não só de cunho estrutural, mas também de cunho que a gente coloca em risco no sentido dessa preservação da saúde das pessoas”, completa Magna Katariny, também diretora de comunicação do Sintepe.

Além das irregularidades estruturais, a instituição indica irregularidades nos próprios documentos, como nos boletins de medição, documento técnico usado para registrar o avanço físico e financeiro de uma obra ou serviço contratado.

Por exemplo, em um dos boletins de medição da reforma da EREF João Barbalho, que fica no bairro da Boa Vista, as fotos utilizadas são de escolas no Brejo do Beberibe e Vasco da Gama.

Empresa contratada

A empresa responsável pelas reformas, a Cetus Construtora, estava registrada no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS), da Controladoria-Geral da União (CGU) no momento de assinatura do contrato com Pernambuco.

O que significa que esta construtora havia perdido sua credibilidade ou foi penalizada por descumprir normas, fraudar licitações ou cometer atos ilícitos. Neste caso, a aplicação ocorreu por meio da Prefeitura de Belo Horizonte e era válida até o último mês de março.

A informação foi publicada, originalmente, pelo Portal Metrópoles, que motivou a investigação independente do sindicato.

A lista completa das escolas com as supostas irregularidades estão em site publicado pelo Sintepe.

O que diz a SEE?

A Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE) rebateu as irregularidades apontadas pelo Sintepe e afirmou que a contratação da Cetus Construtora ocorreu dentro das normas legais. De acordo com a pasta, a restrição da empresa no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS) estava vinculada apenas a um contrato firmado em Belo Horizonte, sem impedir a participação da construtora em licitações de outros estados.

Sobre o contrato firmado com a empresa, a secretaria argumentou que a Cetus apresentou condições compatíveis com a demanda da rede estadual, que atualmente conta com mais de mil escolas. A SEE também negou qualquer pagamento duplicado em obras de manutenção e disse que divergências encontradas em documentos foram revisadas e ajustadas durante a análise técnica.

Em relação ao aditivo contratual, o órgão informou que a ampliação do contrato teve respaldo jurídico e acompanhamento da Procuradoria Geral do Estado (PGE). A pasta ainda contestou as denúncias envolvendo boletins de medição da Escola de Referência em Ensino Fundamental (Eref) João Barbalho, no Recife, e afirmou que as fotografias anexadas servem para registrar as etapas de execução das obras, com identificação de data e localização.

Já sobre a Escola de Referência em Ensino Médio (Erem) Diário de Pernambuco, também no Recife, a SEE informou que os serviços restantes estão em fase final e devem ser concluídos até o fim deste mês. A secretaria acrescentou que o governo estadual vem intensificando os investimentos em manutenção escolar desde 2023, após identificar problemas estruturais acumulados em diversas unidades da rede pública.

 

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