06/11/2026 às 22h42m - Atualizado em 07/11/2026 às 14h17m
Aos 72 anos, mulher volta a estudar e tenta vaga na faculdade pelo Enem
Histórias de estudantes que retomaram os estudos após anos dedicados à família mostram que a busca por uma formação profissional não tem idade.

Escolher uma profissão, estudar e construir uma carreira são planos que acabam adiados para muitas mulheres diante da falta de apoio e da necessidade de cuidar da família e dos filhos. Mas, para algumas, o sonho de conquistar um diploma permanece vivo. É o caso de Zélia José dos Santos, de 72 anos, que voltou a estudar e se inscreveu no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para tentar ingressar na faculdade de Serviço Social.
“Não tive oportunidade quando nova. Tive família, precisava cuidar dos filhos, trabalhava fora de casa. Agora, resolvi cuidar de mim”, conta Zélia, em entrevista à Agência Brasil.
A dona de casa tenta uma vaga no ensino superior há vários anos. Em 2026, decidiu reforçar a preparação com o apoio do pré-vestibular social do Sindicato dos Servidores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Sintuperj). Mesmo ansiosa para a prova, ela afirma estar mais confiante desta vez.
Cursinho oferece apoio além das aulas
No pré-vestibular do Sintuperj, mulheres mais velhas representam entre 20% e 30% dos estudantes, segundo Carlos Eduardo Silva de Lourdes, responsável pelo setor administrativo do curso.
A mensalidade para o público geral é de R$ 162, com desconto de 10% para servidores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O projeto também oferece bolsas integrais para estudantes em situação de vulnerabilidade.
Além das aulas, os participantes recebem atendimento pedagógico e psicossocial. O cursinho também distribui cestas básicas aos alunos e voluntários, arrecadadas durante os aulões mensais. A proposta é acolher quem está há muito tempo longe da sala de aula e precisa de suporte para retomar a rotina de estudos.
“Temos projetos externos para fortalecer a base de alunos que não estudam há muito tempo. A gente não dá só aula, mas também oferecemos atendimento psicossocial, com aulas de autocuidado”, explica a coordenadora pedagógica, Raíssa Tabajara.
Sonho de cursar medicina aos 55 anos
Outra estudante que decidiu não desistir dos planos é a técnica de enfermagem Paula Cristina Cunha dos Santos, de 55 anos. Ela conta que foi mãe ainda na adolescência e precisou priorizar a família e o trabalho. Depois de várias tentativas no Enem, conseguiu nota para ingressar no curso de Fisioterapia, mas mantém o objetivo de estudar Medicina.
“Eu consegui uma nota para fazer fisioterapia, mas o que eu quero é medicina. Quero continuar na saúde. É um desafio grande, pela idade, pela doença de fibromialgia que me incapacita muito. Mas nunca é tarde para sonhar”, afirma.
Primeiro dia de provas terá 90 questões e redação
Neste domingo (8), primeiro dia de aplicação do Enem 2026, os participantes responderão a 90 questões objetivas, divididas entre Linguagens e Ciências Humanas, além de produzir a redação.
A professora de redação do cursinho, Érika Rodrigues, destaca que a coerência é fundamental para construir uma boa argumentação. Segundo ela, é importante ampliar o repertório sociocultural por meio da leitura, mas também saber relacionar as referências ao tema proposto.
Ao longo do ano, as aulas abordaram diferentes eixos temáticos, como tecnologia, cidadania, meio ambiente e questões sociais e políticas. Para Érika, a tecnologia é uma das apostas para a prova, especialmente diante da preocupação com a desinformação.
Criado em 1998, por um grupo de servidores da universidade, o Pré-Vestibular Sintuperj inicialmente tinha como objetivo apoiar o crescimento profissional dos funcionários. Posteriormente, o projeto passou a receber também estudantes da comunidade externa e já contribuiu para a aprovação de mais de 2 mil alunos em universidades públicas federais e na própria Uerj.


