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07/06/2019 às 10h09m - Atualizado em 07/06/2019 às 10h22m

Esvaziamento de barragem com risco de romper compromete abastecimento de água para 12 mil moradores de Paudalho

Barragem teve 70% da água do reservatório retirada por motobombas. Água restante que ainda consegue chegar às casas da comunidade de Guadalajara não recebe tratamento.

barragem_bicopebaInformações:G1PE - Foto: Reprodução/TV Globo

Os moradores da comunidade de Guadalajara, em Paudalho, na Zona da Mata de Pernambuco, estão com o abastecimento de água comprometido. A causa é o esvaziamento da barragem Bicopeba, que fornece água para as 12 mil pessoas que moram na localidade, situada a 3 km de distância do reservatório.

Uma das sete barragens construídas nas terras da Usina Petribú para irrigar as plantações de cana-de-açúcar, Bicopeba é a única que, há 80 anos, não é mais usada para a agricultura, e sim para o abastecimento de água de Guadalajara.

Em 2017, as chuvas fortes que caíram na região da Zona da Mata Norte elevaram o nível da barragem. A água subiu e transbordou pelo sangradouro, ou vertedouro, que é a estrutura que permite que a água que não cabe mais na barragem saia de dentro dela e corra por um local seguro até chegar a um rio.

A força da enxurrada foi tão grande que destruiu parte da estrutura por onde a água escorreu. De acordo com o engenheiro da propriedade, Marcelo Alexandre, o dano oferece risco a toda a estrutura.

“Se ela chegar ao nível máximo e a água extravasar pelo sangradouro, ela corre o risco de ter uma erosão regressiva. O aumento dessa erosão, que já aconteceu, pode chegar a romper a barragem”, afirma o engenheiro.

A solução para conter um possível rompimento é esvaziar a barragem, que tem 3 bilhões de litros de água, e fazer um conserto. O processo de esvaziamento começou em maio de 2019 com a utilização de motobombas, que já conseguiram retirar 70% da água do reservatório.

A água que resta no reservatório e que ainda consegue chegar à casa dos moradores não recebe nenhum tipo de tratamento. De cor amarelada e barrenta, a água não serve para o consumo. “Só serve para gasto mesmo. Lavar roupa, para essas coisas”, conta a dona de casa Maria Severina Ferreira.

A prefeitura de Paudalho, responsável pela distribuição, diz que o município está em contato permanente com a Secretaria Estadual de Infraestrutura e com a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) para tentar resolver o problema.

O proprietário da Usina Petribú, Jorge Petribú, afirma que a única solução para fazer o conserto da barragem é o esvaziamento dela e que esse processo não pode parar. “Uma vez que a barragem tem risco, porque sofreu um dano por conta de excesso de chuvas em 2017, e esse dano foi se agravando, hoje é necessário o esvaziamento para a recuperação da barragem”, declara.

Petribú diz que encaminhou carta ao governo do estado, ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e à prefeitura de Paudalho para comunicar o problema e propor uma solução provisória para não prejudicar os moradores.

“Eu propus fazer um comodato por um período de um ano, desde que eles assumissem o risco da barragem. Esse contrato comodato está sendo analisado por alguns advogados para ver a viabilidade dele e se realmente o poder público tem essa competência para assumir esse risco”, diz.

A Secretaria de Infraestrutura de Pernambuco afirma que existe uma obra da Compesa em execução para assumir o abastecimento de água da comunidade a partir de janeiro de 2020. “A água a ser utilizada no novo sistema que está sendo implantado vem da barragem de Goitá”, diz a secretária Fernandha Batista referindo-se à barragem também localizada em Paudalho.

Ela também conta que, como se trata de uma propriedade privada, o dono da usina é o responsável pelo conserto da estrutura da barragem. “Cabe ao proprietário decidir o que vai fazer. A água vai ser retirada de outra localidade de forma segura e que traga a garantia da segurança hídrica necessária”, afirma.

O MPPE informou que abriu um inquérito para levantar informações sobre a segurança da barragem de Bicopeba. Além disso, solicitou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) que fiscalizem os reparos na parede dessa barragem.

 

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