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23/10/2019 às 13h06m - Atualizado em 23/10/2019 às 18h23m

Médico é detido por recusar atendimento; paciente morreu

O profissional é suspeito de ter recusado atendimento a um idoso na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Contagem, Minas Gerais.

upa

Um médico de 51 anos foi levado a uma delegacia de Contagem, na Grande BH, após a morte de um paciente de 72 anos nessa terça-feira. O profissional é suspeito de ter recusado atendimento a um idoso na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Ressaca. À Polícia Militar (PM), ele alegou que o local não tinha condições de receber pacientes em estado grave e que o homem precisava ser transferido

O caso ocorreu pouco antes das 22h. Enfermeiros de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) contaram à PM que socorreram o paciente em casa, no Bairro Novo Progresso, com um quadro de insuficiência respiratória em estado crítico. Eles informaram a condição dele à central do Samu e foram orientados a levá-lo a unidade de saúde mais próxima. 

Chegando à UPA Ressaca, eles passaram pelo acolhimento e o idoso foi classificado como grave. Mas, os socorristas afirmaram aos policiais que o médico plantonista não quis prestar atendimento e nem sequer levantou da cadeira para olhar o paciente. Ele teria se limitado a dizer que a UPA estava cheia e sem leitos. 

A equipe acionou a central novamente para acionar uma Unidade de Suporte Avançado (USA), que conta com um médico responsável. Ele tentou falar com o colega da UPA ao telefone, mas ele não quis o diálogo, segundo os socorristas. A nova equipe saiu do Bairro Petrolândia e chegou ao Ressaca uma hora depois. O médico constatou a insuficiência do paciente e avaliou que o plantonista tinha que prestar socorro mesmo se ele precisasse de transferência. O estado de saúde do idoso piorou e eles precisaram fazer uma reanimação cardiopulmonar. 

De acordo com a Polícia Militar, eles conseguiram uma vaga no Hospital Municipal de Contagem (HMC), mas o paciente morreu antes de dar entrada. Ainda de acordo com a polícia, consta no boletim de ocorrência que os enfermeiros disseram ter visto uma maca de urgência em um dos boxes que devia ser usada em casos específicos. A nora do idoso acompanhou todo o processo. 

Versão do médico

Conforme a PM, o plantonista da UPA disse que entrou às 19h40 e viu que a sala de urgência não tinha como receber mais pacientes. A equipe do dia já teria avisado ao Corpo de Bombeiros e o Samu que não poderia atender pacientes graves pois não havia macas e nem balão de oxigênio.

Na versão dele, quando o Samu chegou com o idoso, ele falou que não era possível interná-lo e continuou atendendo outros pacientes, enquanto um outro colega prescreveu uma medicação ao idoso. O médico diz, ainda, que orientou os socorristas a ligar para o Samu e levá-lo a outra unidade hospitalar. 

Os envolvidos foram levados à Delegacia de Plantão de Contagem. Às 9h55 desta quarta-feira, a Polícia Civil informou que o suspeito e as testemunhas ainda estavam sendo ouvidas pelo delegado na unidade. 

O Estado de Minas também entrou em contato com Secretaria Municipal de Saúde de Contagem para mais detalhes sobre o caso e aguarda resposta. 

 

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