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17/08/2015 às 12h54m

Mulheres de Camaragibe padecem para dar a luz porque não há maternidade no município

Única maternidade de Camaragibe, a Amiga da Família, está fechada para reformas há oito meses. Prefeitura espera reabri-la até 15 de setembro.

Maternidade Amiga da Família deve reabrir no próximo mês  / Foto: Edmar Melo/JC ImagemMaternidade Amiga da Família deve reabrir no próximo mês

Ter filhos em Camaragibe, no Grande Recife, se tornou uma missão difícil, desde que a Maternidade Amiga da Família, a única do município, fechou as portas para passar por readequações, há oito meses. Neste tempo, várias mulheres grávidas passaram por dificuldades para parir ou encontrar atendimento médico, tendo que disputar fichas em postos de saúde. Os partos são realizados na capital pernambucana ou na maternidade Petronila Campos, em São Lourenço da Mata. A prefeitura informa que até o dia 15 de setembro deve reabrir o espaço, após um longo tempo de espera.

A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) e o Ministério Público de Pernambuco fizeram uma vistoria no local em dezembro e identificaram várias irregularidades, a exemplo de instalação elétrica precária. Os órgãos deram à prefeitura três meses para fazer a reforma, mas o prazo se estendeu porque houve problemas com o processo licitatório e o projeto. Antes do fechamento, com escala médica completa, o centro tinha capacidade para realizar até 190 partos e mais de 500 procedimentos por mês. Com o desfalque, o número baixava para 30 partos e 200 procedimentos por mês. Atualmente, há pessoas trabalhando na reforma, mas a fachada pichada e o lixo em frente a unidade dão um ar de abandono.

A falta de um centro de atendimento especializado obriga grávidas a procurarem ajuda em outros municípios, como foi o caso da filha da dona de casa Luciene Rocha, 55 anos. Apesar de morar a cem metros da Maternidade Amiga da Família, o bebê, hoje com dois meses, nasceu no Hospital das Clínicas (HC), na Zona Oeste do Recife. "A gravidez da minha filha era de risco. Moramos tão perto do hospital, mas nunca conseguimos apoio lá. Acompanhava ela de ônibus até o HC. Um dia, durante um exame de rotina, descobriram que meu neto estava enlaçado. Fizeram cesária no mesmo dia. Fico com medo quando imagino o que teria acontecido se ela estivesse aqui em Camaragibe, onde não há emergência obstétrica", afirma Luciene.

O acompanhamento das gestantes é realizado em postos de saúde, onde são oferecidas poucas fichas para exames como ultrassom. O Centro de Especialidades Antônio Luiz de Souza também presta apoio no atendimento, mas a situação não é melhor. A dona de casa Maria do Carmo Vicente, 34, esperou mais de quatro horas para fazer a ultrassonagrafia. “No posto, só oferecem quatro fichas para o ultrassom. É preciso chegar cedo. Nem sempre eu conseguia, então paguei R$ 80 para fazer em clínica particular, em três meses. Hoje, pela primeira vez, marcaram o exame no centro, mas estou esperando há horas.” Sobre o parto, Maria do Carmo demonstra insegurança. “Vou ter que alugar um carro para ir ao Recife. Vou tentar o Barão de Lucena, mas dizem que lá só aceitam pacientes em estado de emergência. Não quero ir para o Petronila Campos (São Lourenço da Mata)”, relata.

O fechamento da maternidade também trouxe problemas para os moradores e comerciantes das proximidades. “Acontecem assaltos o tempo todo agora, porque o movimento é menor. Às 22h, evito sair de casa, porque sei que é muito perigoso. Isso prejudicou o comércio também. O quiosque da minha prima fica em frente a Amiga da Família e perdeu 90% da clientela por causa da interdição. Outras barraquinhas fecharam”, lamenta o eletricista Antônio Bento, 44, que mora em frente à unidade de saúde, na Rua Nossa Senhora da Conceição.

FUTURO

Segundo o secretário municipal de Saúde, Ricardo Alexandre, as obras não estão atrasadas. “Inicialmente, o Centro de Parto Normal (CPN) iria ficar dentro do hospital. Depois, concordamos em criar um anexo. O projeto sofreu alterações, por isso o processo de licitação atrasou. As obras começaram em junho e vão terminar no prazo previsto de três meses. Após a reforma, a quantidade de leitos pode chegar até 40. No decorrer das obras, vamos definir a quantidade exata”, garante.

Ainda de acordo com o secretário, a Apevisa monitora o andamento da construção. Após a conclusão das intervenções no prédio principal, será iniciada a construção do anexo onde ficará o Centro de Parto Normal, que contará com cinco leitos. O processo licitatório já está em andamento, garante Ricardo Alexandre.


As informações são do Jornal do Comércio
Foto: Edmar Melo/JC Imagem

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