08/05/2026 às 18h47m - Atualizado em 09/05/2026 às 19h13m
Filho denuncia que mãe foi enterrada em cemitério errado após troca de corpos em Pernambuco
Idosa de 77 anos foi sepultada em Carpina após falha de identificação supostamente do SVO; outra mulher foi encontrada no lugar dela, em Santo Amaro

“Uma odisseia”. Foi assim que o empreendedor André Malafaia definiu os últimos dias desde a morte da mãe, Railda Mendes Malafaia, de 77 anos.
A descrição não soa exagerada. O que deveria ser uma despedida se transformou em uma jornada marcada por obstáculos, imprevistos e um desfecho ainda incerto. Ao abrir o caixão momentos antes do enterro, percebeu que o corpo velado não era o dela. Railda havia sido enterrada por engano em Carpina, na Mata Norte de Pernambuco.
Dentro do caixão, estava outra mulher. “Essa senhora, que não faço ideia quem seja, virou legalmente, por um erro, a minha mãe”, afirmou.
“O falecimento da minha mãe foi no dia 3 de maio. Eu fazia visitas periódicas para ajudar com os dois cachorros que ela cuidava. Ela completaria 78 anos no dia 15 de maio. Tinha combinado que ia visitá-la no domingo para fazer uma faxina. Quando entrei na casa dela (no bairro do Ipsep, Zona Sul do Recife), eu a encontrei sem vida. Estava sentada no sofá, com a televisão ligada. Tomei a decisão de ligar para o Samu e depois acionamos o Serviço de Verificação de Óbito (SVO)”, iniciou André.
Os procedimentos, de acordo com o filho, seguiram os ritos normais. Ele foi, ao lado de um amigo de infância, ao Instituto Médico Legal (IML) reconhecer o corpo. Depois preparou o velório para a mãe, que seria realizado no Cemitério de Santo Amaro, área central do Recife. Chegando à funerária, na última terça-feira (5), veio a surpresa.
Susto
“Quando vi o caixão, notei que não era a minha mãe. Mas ainda fiquei tão abalado que queria acreditar que era ela. Mas não era. Abri para ver os pés porque minha mãe tinha joanetes longos e essa mulher não tinha. Porém, a identificação que estava no tornozelo dela era da minha mãe. Essa senhora, que não faço ideia quem seja, é legalmente minha mãe neste momento por conta desse erro”, citou.
A partir daí, André começou uma saga para entender o que ocorreu. A primeira suspeita - que se confirmou posteriormente - foi de que a mãe teria sido enterrada por engano no lugar da mulher que estava no caixão que deveria ser dela.
“Acredito que o erro na troca do corpo foi na identificação. Outra senhora deu entrada no mesmo período. Justamente a que hoje está, legalmente, identificada como minha. A pessoa que preencheu o documento de identificação cadavérica com as informações dela não foi a mesma que a colocou no caixão. O corpo que foi embalsamado foi o dessa senhora e não da minha mãe”, lamentou.
“Descobri que minha mãe foi enterrada no Cemitério Novo, em Carpina. Pelo que soubemos, o velório foi com o caixão fechado. Não sei o posicionamento da outra família. Consegui o número da funerária de Carpina e eles prestaram muita solidariedade com a gente, mas não podem fazer algo. Não temos sequer o laudo da morte da minha mãe. Legalmente, não sabemos o motivo porque o laudo que temos é o da morte dessa outra mulher, que ainda está na funerária em Santo Amaro”, completou.
Justiça
A advogada e esposa de André, Bruna Negromonte, entrou com um pedido de liminar para fazer a troca dos corpos. A funerária de Carpina também fez um Boletim de Ocorrência sobre o caso.
“A nossa ação é contra o estado de Pernambuco e a Secretaria de Saúde, já que o SVO é vinculado à Secretaria. Conseguimos um alvará de exumação, indicando que o estado é obrigado a trocar os corpos, corrigir os documentos e organizar os sepultamentos. O que falta agora é a Procuradoria Geral do Estado de Pernambuco fazer esse cumprimento, mandando um ofício ao IML para fazer a troca dos corpos. Se não tivermos resposta até sexta-feira, o próximo passo seria pedir uma multa diária até o cumprimento”, explicou.
Nesta sexta-feira (8), o filho de Railda Mendes Malafaia informou que o IML recebeu a ordem judicial e está mobilizado para realizar a troca dos corpos. "Temos que ir à Capina para liberar o corpo de mamãe. A administradora do cemitério informou que só libera o corpo mediante a presença da família", relatou André Malafaia.
Em nota, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) se pronunciou sobre o caso. Confira baixo na íntegra.
A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS) informa que irá investigar rigorosamente a ocorrência de troca de corpos registrada, a fim de identificar as circunstâncias do caso e responsabilizar os envolvidos.
A SDS lamenta profundamente o ocorrido e esclarece que será instaurada uma Investigação Preliminar (IP), por meio da Corregedoria Geral da Secretaria, para apurar a conduta sob o ponto de vista ético-disciplinar, caso seja constatada falha na execução da atividade.
A Secretaria informa ainda que a exumação foi realizada por um perito médico legista e agente de medicina legal da Gerência Geral de Polícia Científica, com o objetivo de garantir a correta identificação dos corpos e a adoção de todas as medidas cabíveis.


