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30/07/2014 às 11h05m - Atualizado em 30/07/2014 às 11h38m

Assassinato do médico Artur Eugênio é considerado como queima de arquivo

Vítima saberia de esquemas fraudulentos organizados pelo mandante do homicídio

As investigações sobre o homicídio do médico Artur Eugênio de Azevedo, morto em maio passado, chegaram ao fim com a conclusão do inquérito. Segundo a Polícia Civil, o assassinato teria sido encomendado pelos mandantes como queima de arquivo – quando o crime é ligado a execução de um informante ou testemunha. A vítima teria informações sobre irregularidades cometidas pelo suposto mandante, Cláudio Amaro Gomes. Também foi descoberto o valor cobrado pela execução, que girou entre R$ 50 e R$ 100 mil.

De acordo com a investigação, uma testemunha relatou que Artur teria rompido a sociedade com Cláudio – também médico – por conta de supostas irregularidades. Entre as denúncias estaria um percentual recebido pelo suspeito e pago por convênios caso os pacientes dele precisassem de internação; também fazem parte da acusação indícios de superfaturamento de procedimentos cirúrgicos, que em João Pessoa custa entre R$ 25 e 30 mil e que com Cláudio poderiam custar R$ 120 mil para o convênio.

Na investigação, cerca de 60 dias de quebra de sigilo telefônico revelaram as ligações entre os suspeitos e ajudou a polícia a estabelecer uma cronologia dos fatos. Artur, por se sentir perseguido por Cláudio há algum tempo, teria comentado que pretendia processá-lo por assédio e danos morais. A suspeita é que Cláudio temesse ter seus esquemas revelados por Artur e, por isso, decidiu pedir para seu filho Cláudio Amaro Gomes Júnior achar alguém para matar o médico jovem.

Através de Jailson Duarte Cesar, com quem trabalhava, Júnior encontrou os dois executores – Lyferson Barbosa da Silva e Flávio Braz de Souza. A primeira investida deles para tentar capturar Artur teria acontecido no Hospital de Câncer de Pernambuco (HCP), um dos locais onde a vítima trabalhava: eles pretendiam esperar o médico sair da unidade hospitalar, mas o carro em que estavam quebrou e eles não conseguiram capturá-lo. Em seguida, foram para o Hospital Português e novamente não tiveram sucesso. A terceira, enfim, foi próximo à casa dele e o sequestraram. Imagens dos sistemas de segurança recuperadas pela polícia mostram os suspeitos nos locais aguardando Artur

Confira, no vídeo abaixo, o momento em que Artur passa - no lado direito, com camisa branca e calça cinza - em direção ao seu carro no estacionamento do HCP. Os suspeitos estão no Celta, de cor preta, no lado esquerdo - quando notam que o médico liga seu veículo, tentam dar partida, mas o carro falha e eles têm que empurrá-lo para funcionar. Enquanto isso, Artur vai a um prédio anexo para deixar um documento e os suspeitos seguem para tentar a tocaia no Hospital Português.

Cláudio Amaro Gomes, Cláudio Amaro Gomes Júnior, Jailson Duarte Cesar, Lyferson Barbosa da Silva e Flávio Braz de Sousa foram indiciados por sequestro, homicídio, roubo, associação criminosa, estelionato e comunicação falsa de crime. Lyferson e Jailson foram detidos, na semana passada, durante a Operação Guararapes; já Flávio se encontra foragido e o Disque-Denúncia oferece recompensa de R$ 20 mil para informações que possam levar à captura do suspeito.

As denúncias podem ser feitas pelo telefone 3421-9595 (para a RegiãoMetropolitana do Recife e Zona da Mata Norte) ou pelo (81) 3719-4545 (no interior do Estado). Também é possível repassar informações por meio do site da central, que permite o envio de fotos e vídeos. O serviço funciona durante 24 horas, todos os dias da semana. O anonimato é garantido.


Com informações da Folha de Pernambuco

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