14/08/2026 às 18h04m - Atualizado em 16/08/2026 às 16h55m
Violência contra mulheres aumenta quase 30% em dias de jogos de futebol, aponta estudo
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública analisou ocorrências em cinco capitais e mostra avanço também nos registros de ameaça

Os registros de lesão corporal dolosa decorrentes de violência doméstica contra mulheres aumentam 28,9% em dias de jogos de futebol, segundo a segunda edição do estudo Futebol e violência contra a mulher, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento também identificou crescimento de 27,4% nos casos de ameaça contra mulheres nessas datas.
Jovens são as mais afetadas
Mulheres de 15 a 29 anos aparecem como as mais impactadas pelo aumento da violência. Nessa faixa etária, os registros de ameaça e de lesão corporal dolosa crescem 44,4% em dias de partidas.
A pesquisa analisou a relação entre registros de ocorrências de violência e os resultados de jogos da Série A do Campeonato Brasileiro, da Copa Libertadores da América e da Copa Sul-Americana entre 2023 e 2025. Foram consideradas cinco capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre.
Segundo o FBSP, os resultados reforçam a hipótese de que o calendário do futebol funciona como um marcador temporal de risco para a violência doméstica contra mulheres.
Aumento foi maior que no estudo anterior
A primeira edição do levantamento foi divulgada em 2022, com dados referentes ao período de 2015 a 2018. Na época, os registros de ameaça contra mulheres aumentavam 23,7% em dias de jogos, enquanto os casos de lesão corporal dolosa cresciam 20,8%.
Na pesquisa mais recente, os índices passaram para 27,4% e 28,9%, respectivamente. Isso representa uma elevação de 3,7 pontos percentuais nos registros de ameaça e de 8,1 pontos percentuais nos casos de lesão corporal dolosa.
Para Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do FBSP, os dados devem ser considerados no planejamento das ações de segurança.
"Os dias de jogo são, hoje, fatores de risco comprovados para a violência doméstica contra mulheres. Mais do que um diagnóstico, esse conhecimento deve guiar o planejamento das forças de segurança — reforçando unidades especializadas como as Delegacias da Mulher e as patrulhas de fiscalização das Medidas Protetivas de Urgência — e engajar os clubes como aliados no enfrentamento ao problema", avalia Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do FBSP.
A pesquisadora também defende que os clubes participem das ações de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres. Segundo ela, os times não são apenas protagonistas do espetáculo esportivo, eles são também instituições com enorme capacidade de influenciar comportamentos e valores".
Em outra avaliação, ela destaca o papel dos clubes especialmente em partidas de maior rivalidade. "Em partidas de alta rivalidade, por exemplo, eles têm a oportunidade e a responsabilidade de se converterem em agentes de mudança, mobilizando seus atletas, suas torcidas e o poder de suas marcas para desvincular a paixão pelo futebol da violência contra a mulher".


