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23/09/2020 às 17h27m - Atualizado em 24/09/2020 às 10h25m

Homem de 280 kg teve atendimento negado em hospital do Recife

O Hospital Getúlio Vargas se recusou a receber Antônio depois de ele viajar de Vitória de Santo Antão para ter atendimento especializado

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Com elefantíase e obesidade, José Antônio de Amorim, de 51 anos, não consegue sair da cama e não vê mais a rua. O homem de 280 quilos sofre há mais de 5 anos com obesidade e elefantíase, doença que afeta a circulação sanguínea nas suas duas pernas. Além das chagas da doença, ele tem lidado com a falta sistêmica do Estado em garantir seu atendimento de saúde. Alegando não ter estrutura, o Hospital Getúlio Vargas (HGV), no Cordeiro, Zona Oeste do Recife, se recusou a receber Antônio na noite dessa terça-feira (22), depois de ele ser transferido do Hospital João Murilo, em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata de Pernambuco, para ter uma consulta com um médico vascular. Depois de percorrer 44 quilômetros na ambulância, o paciente precisou voltar ao município de origem, onde segue internado, sem receber atendimento especializado.

O inchaço e as feridas causados pela condição prejudicam a mobilidade de Antônio, que passa a maior parte do tempo deitado no quarto. Segundo sua família, ele ainda conseguia caminhar até a cozinha e ao banheiro, mas as dores pioraram doze dias atrás e o impedem de andar.

Por isso, na segunda-feira (21), o SAMU foi acionado para levá-lo a uma unidade de saúde. A equipe precisou chamar os Bombeiros para ajudar no socorro. Foram necessários mais de dez agentes para movê-lo. "Ele gritava de dor", lembra o irmão, o mecânico Pedro Nascimento Amorim, 40.

"Não tinha como entrar nas ambulâncias porque são cheias de equipamento. O resgate teve que ser feito pela caminhonete dos Bombeiros", disse.

Uma das irmãs, a garçonete Maeli do Nascimento Amorim, 33, relatou que a espera começou desde aí. "Os próprios bombeiros ligaram para o João Murilo e (o hospital) não deu resposta. A gente passou 1 hora esperando”, contou. "Os bombeiros tiveram que decidir: a gente vai e eles têm que aceitar. A gente tem que agradecer porque os (bombeiros e socorristas) tiveram a maior paciência do mundo, fizeram toda a preparação, viram uma forma de levar ele com segurança."

Ao chegar no João Murilo, agora precisavam aguardar um novo carro adaptável para transferi-lo ao Recife. "Não queriam levar em um carro exposto, não era seguro. Tiveram que remover os bancos do SAMU para levá-lo", falou Maeli.

A família só soube na manhã desta quarta-feira (23) que Antônio não foi admitido no HGV. "Eu me senti mal. A gente vai com esperança para ver uma melhora pra ele, e um hospital grande desse rejeita um paciente. Nossa mãe fica nervosa, vendo o filho num estado desse, ninguém resolve nada", declarou Pedro.

A irmã compartilha o sentimento. "É constrangedor. Inaceitável estar passando por uma situação dessa. E vê-lo nessa situação nos dói muito. A gente fica de mãos atadas, sem saber o que fazer", afirmou Maeli.

Três anos atrás, Antônio passou cerca de quinze dias internado no HGV, quando estava em uma situação menos grave. "Essa foi a primeira vez de ele ir a um hospital e dizerem que não têm espaço", completou a garçonete.

JC Online

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