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11/10/2018 às 10h47m - Atualizado em 11/10/2018 às 16h21m

Pobreza no Nordeste é grande desafio para candidatos à Presidência

Nordeste tem alto índice de famílias abaixo da linha de pobreza, um dos problemas a serem enfrentados pelo novo presidente

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Desempregado, Carlos Alberto da Silva, 61 anos, sustenta a esposa e dois netos com cerca de R$ 70 que consegue ganhar por mês fazendo bicos. Morador das palafitas da comunidade Roque Santeiro, no bairro recifense dos Coelhos, ele viu a situação da família se agravar quando perdeu o emprego há dois anos. Trabalhava na prefeitura com serviços de esgotamento. Uma ironia para quem, toda vez que a maré sobe, precisa atravessar a água com lixo e dejetos, se quiser entrar ou sair de casa. “Às vezes, à noite, não tem nem um pão para morder. A vida era melhor quando eu tinha trabalho, comia melhor... carne, frango. Agora, só uma vez por ano e olhe lá. Quase toda semana eu vou procurar emprego, mas está mais difícil”, comenta.

O desemprego empurrou Carlos para a situação de extrema pobreza que cresceu no País durante o período de crise, passando de 3,2% do total das famílias em 2014 para 4,8% no ano passado, segundo estudo da Tendências Consultoria Integrada. O material aponta, ainda, que a piora foi mais profunda no Nordeste, região em que todos os Estados estão acima da média brasileira quando o assunto é extrema pobreza. É um País mais pobre que o novo presidente vai encontrar, ao tomar posse em janeiro, com o desafio de ajustar a situação fiscal sem aprofundar as desigualdades sociais.

O estudo mostra que a pobreza extrema (famílias com renda per capita mensal de até R$ 85) cresceu em 25 Estados brasileiros. No Nordeste, região mais dependente de programas sociais, oito dos nove Estados apresentaram piora da miséria no período estudado pela Tendências. O Maranhão sofreu mais. A proporção de famílias em extrema pobreza saiu de 8,7% para 12,2% no período. Na Bahia, Piauí e Sergipe, a quantidade praticamente dobrou. Em Pernambuco, o número saltou de 5,4% para 7,7%. Apenas a Paraíba reduziu o número de famílias nesta situação, passando de 6,4% para 5,7%. A piora no quadro do Nordeste se explica porque a crise econômica freou o crescimento acima da média nacional e grandes investimentos na região.

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