05/03/2026 às 18h53m - Atualizado em 06/03/2026 às 20h44m
Irmãos são presos por estuprar mais de dez crianças e adolescentes, incluindo sobrinhos, em Olinda
Segundo Polícia Civil, vítimas são meninos de 6 a 12 anos. Homens foram detidos após a madrasta de um dos garotos abusados encontrar um vídeo que registrou crime.

A Polícia Civil de Pernambuco prendeu dois homens, suspeitos de coordenar uma rede de estupro de vulnerável em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. Os homens identificados como Francisco Fernandes, o “Chiquinho”, de 41 anos, e Alexandre Fernandes, o “Boca”, de 45 anos, já praticavam os abusos há cerca de cinco anos, e foram descobertos após a madrasta de uma das vítimas encontrar vídeos dos abusos no celular do enteado. Até o momento, 12 crianças e adolescentes, entre 6 e 13 anos, foram identificados como alvos, mas a polícia afirma que o número deve crescer, com a previsão de abertura de ao menos cinco novos inquéritos nos próximos dias.
Os suspeitos trabalhavam com reciclagem e utilizavam o dinheiro obtido para aliciar as vítimas com lanches, quantias em espécie e créditos para jogos de celular. Segundo o delegado Gilmar Rodrigues, os abusos ocorriam diariamente em um terreno com três casas onde os homens residiam, muitas vezes na presença de outros parentes.
A investigação revelou um cenário de silenciamento coletivo, onde o medo do envolvimento dos suspeitos com o tráfico e o fato de outras parentes terem sido vítimas no passado impedirem as denúncias. Diante da gravidade da omissão, a Polícia Civil confirmou que haverá responsabilização criminal para os adultos do núcleo familiar. “Eles não só podem, eles serão indiciados por omissão”, afirmou o delegado Gilmar Rodrigues, reforçando que “todos os parentes que tinham conhecimento e que presenciaram serão indiciados” no decorrer do processo.
Com o início das investigações, Francisco tentou fugir para o interior do estado, mas foi localizado em um sítio no município de São João, no Agreste de Pernambuco, enquanto Alexandre foi detido em Olinda. Ambos confessaram os crimes, que tinham como vítimas meninos, em sua maioria, mas também meninas da vizinhança e do próprio círculo familiar. Os dois homens permanecem à disposição da Justiça, enquanto a polícia trabalha para identificar outras vítimas e o grau de participação de cada parente na manutenção da rede de abusos.


