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20/04/2015 às 06h49m - Atualizado em 19/07/2017 às 16h52m

Pernambuco: Corrupção trava grandes obras no Estado

Além dos problemas recorrentes com burocracia e atraso de verbas, grandes projetos sofrem com a participação das empreiteiras no escândalo do petrolão.

A Refinaria Abreu e Lima é um dos casos mais emblemáticos dos atrasos e escândalos de corrupção do País / Heudes Regis/JC Imagem

A Refinaria Abreu e Lima é um dos casos mais emblemáticos dos atrasos e escândalos de corrupção do País.

As molas do crescimento transformaram-se em incógnita. Os escândalos de corrupção que ameaçam grandes empresas do País, somados a uma conjuntura de estagnação econômica, ajuste fiscal e turbulência política, colocaram em xeque o cronograma de importantes obras de infraestrutura, mobilidade e petróleo e gás. Na ponta, a consequência mais brutal: o desemprego. O cenário já fechou milhares de postos de trabalho desde o fim do ano passado. Em Pernambuco, empreendimentos emblemáticos como Refinaria Abreu e Lima, transposição do São Francisco e Estaleiro Atlântico Sul (EAS) estão contaminados. Atrasados e com os custos acima do previsto, os três são os maiores projetos federais no Nordeste e representam grandes heranças do governo petista para a região.

Um levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) mostra que existem ao menos 144 empreendimentos ameaçados em todo o Brasil: 109 obras de infraestrutura, duas gigantescas unidades de refino (Abreu e Lima e Comperj), duas plantas de fertilizantes e 31 contratações de embarcações junto a 18 estaleiros (entre eles o EAS). Juntos, representam, no mínimo, R$ 423,8 bilhões de investimentos, o que equivale ao Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais. Pernambuco é o terceiro colocado na lista de maiores volumes de investimento afetados (R$ 73,5 bilhões). Antes vêm Rio de Janeiro (R$ 105,8 bilhões) e São Paulo (R$ 78,2 bilhões).

Empresas de grande porte como OAS, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Queiroz Galvão, Odebrecht, Galvão Engenharia, Sete Brasil, Engevix, Alumini (ex-Alusa), que, nos últimos anos, concentraram os contratos com o governo, agora estão com problemas de caixa, restrição para captar crédito e dificuldade para tocar obras, além de problemas de pagamento da Petrobras nas companhia ligadas aos setores de petróleo e gás. Sem dinheiro e com o fim de muitos contratos, as empresas se viram forçadas a demitir. Desde outubro de 2014, quando se intensificaram as denúncias da Lava Jato, 16 mil postos de trabalho foram fechados no setor de construção civil em Pernambuco, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

“As empresas estão parando porque os bancos não estão dando financiamento, e não há empresa que sobreviva sem apoio dos bancos. Esses negócios têm milhares de outros fornecedoras de bens e serviços, que envolvem milhões de empregos”, resume o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira. O economista Claudio Porto, presidente da Macroplan Prospectiva Estratégia & Gestão, pondera que o impacto negativo não é função apenas do escândalo de corrupção, mas da conjuntura de escassez de recursos, recessão e aperto fiscal. “É quase uma ‘tempestade perfeita’, em que se combinam forças negativas que impactam investimentos e ambiente de negócios no País inteiro. E Pernambuco tem uma concentração de obras significativa”, explica.

Ele acredita que o clima de “ressaca” se estenda até o fim de 2016, “na melhor das hipóteses”. “Duração de obras e gastos são como uma regra de três simples: quanto mais se demora, mais se gasta”, pondera o presidente do sindicato dos trabalhadores da construção pesada de Pernambuco (Sintepav-PE), Aldo Amaral, frisando que as grandes obras estão a passos lentos.

Procurada para comentar o cenário de incertezas que agora se sobrepõe à comemoração dos investimentos, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Sdec) preferiu pronunciar-se por nota. O texto afirma que a conjuntura econômica, política e de investigações “tem, sim, impactos em Pernambuco”. Mas, “diferentemente do que o senso comum preconiza”, o momento tem estimulado a pasta a “estruturar novas políticas, apostar em áreas que têm conseguido superar o ambiente macroeconômico instável e olhar ainda mais para as cadeias produtivas e os Arranjos Produtivos Locais (APLs) já consolidados”.

Entre os pontos enaltecidos pelo governo, estão a geração de energias renováveis, com destaque para Casa dos Ventos (R$ 6 bilhões no longo prazo), no Agreste, visitas constantes ao polos gesseiro, de confecções e de laticínios, fomento à cadeia metalmecânica, Polo Automotivo Jeep (R$ 7 bilhões), Centro de Distribuição da Toyota (R$ 15 milhões) e aprovação recente de 14 novos projetos industriais (R$ 99,9 milhões) – volume este que, para analistas, poderia ter sido maior não fosse a desaceleração econômica. A Secretaria das Cidades respondeu aos questionamentos da reportagem, mas não disponibilizou porta-voz nem teceu maiores comentários sobre o cenário e o comprometimento das obras de mobilidade.


Com informações do Jornal do Comércio

Foto: Heudes Regis/JC Imagem

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