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16/09/2019 às 09h52m - Atualizado em 16/09/2019 às 09h55m

Parada da Diversidade leva multidão à Avenida Boa Viagem em Recife

Organizada pelo Fórum LGBT de Pernambuco com apoio da Prefeitura do Recife, a festa política busca dar visibilidade à população LGBT e suas pautas.

parada_da_diversidade_2019Informações: Diário de Pernambuco - Foto: Emannuel Bento/Esp. DP

Com o tema Ontem, hoje e sempre. Resistir para libertar!, a 18ª Parada da Diversidade de Pernambuco lotou a Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, neste domingo (15) com muitas bandeiras coloridas e irreverência. Organizada pelo Fórum LGBT de Pernambuco com apoio da Prefeitura do Recife, a festa política busca dar visibilidade à população LGBT e suas pautas. Em anos anteriores, uma das principais reivindicações era a criminalização da LGBTfobia. Como a medida agora já é uma realidade, maior parte dos protestos foram direcionais a possíveis retrocessos e ao preconceito que vem ficando cada vez mais nítido na era das redes sociais.

A festa começou às 9h, com concentração no Parque Dona Lindu. O palco do local presenciou sets de DJs, performances de drags queens e uma cerimônia de casamento da funcionária pública Diva Campos e a motorista Gabrielle Campos. O tradicional anel de casamento foi trocado por uma tatuagem nos dedos das duas noivas. O ponto alto foi o show da banda Amigas do Brega, que montou um espetáculo inspirado em divas do público LGBT como Beyoncé, Rihanna e Anitta. Os 12 trios deram largada por volta das 12h30.

O carioca Eduardo Gomes, 40 anos, que atualmente mora no Recife, compareceu ao desfile com o companheiro Luciano Landim, 46. "Nesse momento, é muito importante estar na Parada. Estamos vivendo um contexto, na linha da política, em que existem muitos grupos conservadores que incitam o ódio, a violência contra as pessoas LGBT. A gente tem que estar na rua, defendendo nossos direitos, lutando por visibilidade”, disse Eduardo.

As amigas Monique, 18 anos, Alane Renata, 19, e Amanda Aires, 20, compareceram pela primeira vez. "Decidi vir por curiosidade e também por apoiar a causa LGBT ", disse Monique. "Com todas essas políticas, é importante vir apoiar", lembrou Alane. Para elas, a diversão e os shows são apenas consequência, a importância da Parada é o apoio ao movimento.
 
“Temos mostrar que resistimos e existimos, ainda mais neste ano, diante de tantas tragédias”, disse Matheus Rodrigues, 21 anos, natural de Garanhuns e que frequenta a Parada há quatro anos. “Acredito que cada vez mais pessoas deveriam vir conhecer. É muito divertido, é como um carnaval. Só que é um carnaval político, é uma festa política e nos divertimos enquanto fazemos reivindicações”.
 
Na quesito das atrações, o desfile foi mais “enxuto” esse ano. A empresa transporte privado urbano Uber, que vinha colocando um trio com atrações famosas na avenida, não participou neste ano. A maioria dos trios elétricos foram locados por instituições que compõem o Fórum LGBT de Pernambuco, além de alguns empresários.

O trio do Clube Metrópole foi comandado pela empresária Maria do Céu ao lado dos comediantes Ni do Badoque, Abdias Melo, Byanka Nicoli e o cantor Romero Ferro. Os políticos Daniel Coelho (PSDB) e Túlio Gadelha (PDT) também estiveram no espaço.
 
“Esse é um ato de resistência para dar visibilidade a uma população que vem sofrendo cada vez mais, principalmente agora com o governo de Bolsonaro, que aposta em muito extremismo, muito ódio disseminado”, disse o deputado federal Túlio Gadelha. “Agora, precisamos nos unir de fato, segurar a mão e não largar. É importante saber que a parada de Pernambuco sempre foi uma das maiores do Brasil e uma das que trouxe mais visibilidade, resistência e força”.
 
Apesar do enfoque ser nos direitos da população LGBT, manifestações políticas partidárias também deram o tom ao desfile. Era comum que lideranças dos trios elétricos criticassem o presidente da república Jair Bolsonaro (PSL), conhecido por dar declarações preconceituosas em relação a homossexuais. Também era possível ver algumas bandeiras do Lula Livre, um bordão também repetido pelos dirigentes dos trios.
 
TUMULTOS
Houve tumulto por volta das 12h30, logo após a saída do último trio na concentração. Um jovem chamado Pedro Henrique José Bezerra, 21 anos, foi agredido por um grupo de 10 pessoas. Um dos suspeitos foi detido, mas causas da violência ainda estão sendo investigadas. A vítima foi socorrida por uma equipe de resgate do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Em nota, a Polícia Militar informou que deteve 42 pessoas, destas, 31 foram conduzidas para a Delegacia de Polícia Civil, as principais ocorrências registradas foram de furto, roubo e briga de galera, uma delas no Parque Dona Lindu, onde uma pessoa ficou ferida e foi socorrida pelo efetivo para a UPA da Imbiribeira, a vítima estava sem documento de identificação. Alguns dos agressores foram detidos pelo efetivo.  
 
Um homem foi atropelado por um ônibus na Avenida Conselheiro Aguiar, em Boa Viagem, por volta das 16h. De acordo com informações de uma testemunha, o coletivo estava na altura do Real Hospital Português e vinha bastante lotado de passageiros por conta do evento. Por isso, o motorista decidiu não parar no ponto, desviando o veículo para uma outra via. O pedestre correu e, acreditando que o ônibus ia parar, se jogou na frente do veículo. O motorista do ônibus da Borborema - Imperial Transportes freou, mas não conseguiu impedir a colisão. Transeuntes avisaram sobre o acidente a uma viatura da polícia e uma ambulância do SAMU foi acionada. O rapaz foi removido da via por volta das 16h40. A reportagem não conseguiu informações sobre seu estado de saúde da vítima.

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