GB Bateiras Auto Elétrica e Mecânica. Em Timbaúba (81)3631-0979 e Carpina (81)3621-3762
Vem para ubafibra | Ubannet (81) 3631-5600

10/04/2015 às 14h43m - Atualizado em 10/04/2015 às 14h48m

Governo realiza oficina para agricultores familiares de São Vicente Férrer

A iniciativa é para estimular a utilização de práticas agroecológicas na agricultura familiar.

Maria do Amparo de Albuquerque, é a única técnica agrícola que ajuda os agricultores de sete municípios nos arredores de São Vicente Férrer, no Agreste do estado. “ Trabalho do mesmo jeito que os homens, só que faço diferente, vou buscar conhecimento na universidade e me capacitar no que não sei. Em novembro vou fazer um curso de irrigação em Petrolina”, revela a técnica dizendo ainda que só vai sossegar quando fizer o curso superior de Agronomia. Os agricultores que Amparo ajuda são dos municípios das redondezas e que sofrem com os problemas causados por anos de uso de agrotóxicos. Em muitos locais o solo já não está tão fértil e os agricultores têm muitas dificuldades para manter as plantações.

Para ajudar a diminuir o uso dos agrotóxicos nas plantações de Pernambuco, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) elaborou o projeto “Ações integradas para Mitigação de Impactos Socioambientais causados pelo uso de agrotóxico na agricultura familiar em Pernambuco”. O projeto, realizado em parceria com Secretaria Estadual de Saúde, Embrapa, UFRPE, Agência de Defesa e Fiscalização de Pernambuco (Adagro) e o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), pretende realizar capacitações, oficinas para estimular a utilização de práticas agroecológicas na agricultura familiar.

A oficina, realizada na quarta-feira (08/04) na área rural de São Vicente Férrer, foi coordenada pelo Analista em Diagnósticos Ambientais da Semas , Jaime Roma de Sena, pelo Engenheiro Agrônomo e Analista de Projetos Ambientais da Semas, Ivógenes Silva Alves e pela pesquisadora da Embrapa Solos, Selma Tavares. Numa aula prática realizada nas comunidades do Lério e de Jararaca, cerca de 30 agricultores aprenderam a fazer um biofertilizante natural, com folhas de plantas trituradas, cinza ou fosfato natural, esterco fresco e água, entre outros produtos, que são encontrados facilmente nas plantações. Para a pesquisadora Selma, a prática vai ajudar a melhorar a qualidade do solo em pouco tempo. “ A adubação orgânica pode dá uma resposta devagar só no começo, mas o resultado é duradouro para o solo, porque recompõem os micro-organismos benéficos, devolvendo a vida e a fertilidade ao solo e deixando as plantas mais resistentes a doençcas e pragas”, informa a pesquisadora.

“É prciso valorizar o conhecimento porque a realidade deles quem mais conhece são os próprios agricultores. É uma quebra de paradigmas, mostrar práticas alternativas e possíveis de fazer para melhorar a capacidade do solo de produzir. Utilizar recursos que já existem na natureza e não são reaproveitados, isso é um dos sentidos de sustentabilidade atualmente” , afirma o analista de projetos ambientais Ivógenes Alves. “A idéia é estimular a diversidade de cultivo pra beneficiar o solo e melhorar a renda desses agricultores familiares”, completa o analista e diagnósticos Jaime Roma.

Reginaldo Amaro Pereira, 62 anos, começou a trabalhar na agricultura aos 7 anos plantado tomate, hoje se dedica ao cultivo de uvas, banana, fava e maracujá. Para ele é muito importante usar produtos naturais no solo. “ Eu já tenho uma certa noção de reutilizar folhas na adubação e já até faço. O adubo orgânico é o dobro de melhor do que o químico, e se a gente quiser ter futuro a gente tem que usar esses produtos naturais mesmo”, afirma o agricultor, que também diversifica a produção pra garantir renda o ano todo e não prejudicar o solo com a monocultura.

O mais experiente do grupo, Severino Freire da Silva, de 73 anos, começou a trabalhar no campo ainda menino e com 12 anos já tinha o seu roçado, hoje tem 6 hectares dedicados a uva, para ele é um dos poucos cultivo que dá dinheiro para os pequenos agricultores. “A agricultura tá difícil, os jovens nem querem mais seguir esse caminho porque sabe das dificuldades. Nunca participei de um curso desse, espero aprender uma coisa melhor pra melhorar nossa situação”, revela o agricultor.

Dificuldades também são desafios para os seis produtores de flores do município. Com a terra desgastada pelo uso de produtos químicos e sem apoio financeiro a produção diminuiu e hoje serve apenas para ser utilizada em festas de casamento na cidade. Cleide Ribeiro, é a presidente da associação dos floricultores do município, e diz que o mercado é bom , mas é preciso investir. “ As rosas tem um ciclo de vida de 5 anos, essas daqui já tem oito anos e temos que trocar tudo”, informa a agricultora. “ No início da produção há 7 anos, a gente já chegou a produzir 25 mil reais por mês só com a venda das rosas, hoje não chega a 250 reais. Mas se não fosse o sonho e a esperança, que é a última que morre, a gente já teria desistido, revela a tesoureira dá associação Maria Augusta da Silva.

GRUPO DE TRABALHO – Cerca de 200 tipos de agrotóxicos são utilizados no Brasil, que é um dos principais consumidores. A Organização das Nações Unidas (ONU) decretou o ano de 2015 como o Ano Internacional dos Solos, como forma de mobilizar a sociedade para a importância dos solos como parte fundamental do meio ambiente e alertar sobre os perigos que envolvem a degradação, como a utilização de agrotóxicos e monocultivo extensivo, em todo o mundo. Com essa preocupação a Semas e alguns parceiros criaram o grupo de trabalho do projeto “Ações integradas para Mitigação de Impactos Socioambientais causados pelo uso de agrotóxico na agricultura familiar em Pernambuco”. Inicialmente, o projeto vai ser implantado em três cidades: Vitória, São Vicente Férrer e Petrolina, para depois atingir todos os municípios do estado.

O grupo vai analisar as necessidades e a realidade de cada cidade para estruturar as melhores ações para a localidade. Entre os objetivos do projeto estão a criação do Selo Agroecológico, uma certificação de produção com bases agroecólogicas e orgânicos; a criação de uma Rede de Segurança Alimentar, com cadastros dos agricultores orgânicos; a Educomunicação Ambiental; Incentivar agroindústrias e comercialização de produtos orgânicos/agroecológicos por meio de monitoramento e capacitação de famílias agricultoras com práticas ambientais e treinamento dos agentes de saúde quanto aos riscos dos agrotóxicos e auxílio ao seu monitoramento, entre outros.

Comentários

Comentário pelo Facebok
Outros comentário

Outras notícias